Uma dúvida bastante comum para quem possui ou pretende utilizar um poço para abastecimento é saber se a água pode ser consumida e quais cuidados são necessários para garantir sua potabilidade. Isso porque a captação de água subterrânea, por si só, não comprova que a água atende aos padrões necessários para o consumo humano.
Mesmo límpida, essa água pode conter microrganismos, metais, substâncias químicas e outras impurezas que a tornam imprópria para o consumo direto, oferecendo riscos à saúde. Logo, a ausência de tratamento adequado e de uma rotina de manutenção pode comprometer a segurança da fonte.
Neste guia completo, você vai entender como funciona o controle de qualidade da água do seu poço, quais análises são importantes, as principais etapas do tratamento e a importância da manutenção periódica para garantir segurança, regularidade e conformidade com os padrões de potabilidade. Confira!
Navegue para saber mais sobre controle de qualidade da água:
Água de poço artesiano é potável por natureza?
Não. A água de um poço artesiano não é necessariamente potável apenas por ser subterrânea ou captada em grandes profundidades. Sua qualidade depende das características físico-químicas e microbiológicas da água e deve ser confirmada por meio de análises laboratoriais.
Atualmente, o padrão de potabilidade da água para consumo humano é estabelecido pelo Anexo XX da Portaria de Consolidação GM/MS nº 5/2017, atualizado pelas Portarias GM/MS nº 888/2021 e nº 2.472/2021. A norma estabelece procedimentos de controle e vigilância da água e também se aplica às soluções alternativas individuais e coletivas de abastecimento.
Mesmo em poços profundos, podem ocorrer contaminações por infiltrações, falhas na vedação ou problemas na estrutura do poço. Além disso, atividades agrícolas e industriais e o lançamento inadequado de resíduos nas proximidades podem comprometer a qualidade das águas subterrâneas.
Por isso, a profundidade do poço ou a aparência da água não são suficientes para determinar sua potabilidade. A água destinada ao consumo humano deve ser analisada para verificar se atende aos parâmetros estabelecidos pela legislação e, caso seja identificada alguma alteração, definir o tratamento adequado.
Como saber se a água do seu poço é própria para consumo?
Muitos contaminantes são invisíveis a olho nu e só podem ser identificados por meio de análises laboratoriais específicas. Por isso, o controle de qualidade da água deve considerar diferentes grupos de parâmetros;
- Análises microbiológicas: verificam a presença de microrganismos e indicadores microbiológicos relevantes para a avaliação da qualidade da água, como Escherichia coli e coliformes totais;
- Análises físico-químicas: avaliam parâmetros como pH, turbidez, cor, metais, nitrato, nitrito e outras substâncias previstas no padrão de potabilidade;
Avaliações de outros parâmetros, quando indicadas pelas características do manancial, histórico da região, atividades desenvolvidas no entorno ou finalidade de uso da água.
A legislação também determina critérios específicos para o padrão microbiológico. Para soluções alternativas individuais de abastecimento, por exemplo, a Escherichia coli deve estar ausente em 100 mL da amostra. Já para sistemas e soluções alternativas coletivas, existem critérios específicos para E. coli e coliformes totais conforme o ponto de amostragem.
Além disso, uma atualização importante da Portaria GM/MS nº 2.472/2021 determina que, nas amostras coletadas para análises bacteriológicas, também sejam realizadas medições de cor aparente, turbidez e residual de desinfetante.
Leia mais em: Água de poço artesiano com cheiro: entenda os principais motivos.
Etapas do tratamento da água de poço artesiano
O tratamento da água de poço artesiano deve ser definido a partir dos resultados das análises laboratoriais. Isso porque cada fonte pode apresentar características diferentes e exigir soluções específicas para corrigir os parâmetros que não atendam aos critérios aplicáveis ao uso da água.
A presença de microrganismos, por exemplo, pode exigir uma etapa de desinfecção, enquanto concentrações elevadas de ferro, manganês ou outros componentes podem demandar sistemas específicos de filtração e tratamento.
Por isso, não existe um único método que possa ser aplicado indistintamente a todos os poços. Após identificar quais parâmetros precisam ser corrigidos, é possível definir o sistema de tratamento mais adequado. Entre as principais etapas que podem fazer parte desse processo estão:
1. Desinfecção da água
A desinfecção tem como objetivo eliminar ou inativar microrganismos que podem representar riscos à saúde. Entre as tecnologias utilizadas estão a cloração, a radiação ultravioleta (UV) e o ozônio.
A escolha do método depende das características da água e do sistema de abastecimento. No caso dos sistemas de distribuição, também é necessário garantir a presença de um residual de desinfetante ao longo do sistema.
De acordo com o art. 32 da Portaria GM/MS nº 888/2021, é obrigatória a manutenção de, no mínimo, 0,2 mg/L de cloro residual livre, 2 mg/L de cloro residual combinado ou 0,2 mg/L de dióxido de cloro em toda a extensão do sistema de distribuição, incluindo reservatório e rede, e nos pontos de consumo.
Quando são utilizados ozônio ou radiação ultravioleta como desinfetantes, a própria norma determina a adição de cloro ou dióxido de cloro para manter o residual mínimo exigido.
Por isso, o sistema de desinfecção deve ser dimensionado de acordo com as características da água, a tecnologia utilizada e as condições do abastecimento, garantindo a segurança da água em toda a rede.
2. Filtragem e remoção de impurezas
Após a avaliação da água, pode ser necessária a remoção de sedimentos e partículas sólidas, como areia, barro ou matéria orgânica.
Essa filtragem pode ser feita com filtros mecânicos, filtros de areia, carvão ativado e outros meios filtrantes, conforme o contaminante identificado.
Além de melhorar características como turbidez, cor, odor e sabor, quando aplicável, essa etapa também pode contribuir para proteger equipamentos e reservatórios contra o acúmulo de resíduos.
3. Correção de pH e remoção de metais
Águas subterrâneas podem apresentar concentrações elevadas de ferro, manganês, sais e outros componentes, além de características de pH que exigem correção.
Nesses casos, o tratamento deve incluir equipamentos e processos específicos para cada situação. A escolha do sistema deve ser baseada nos resultados das análises e nas recomendações técnicas.
Por isso, não é indicado instalar filtros ou produtos de tratamento sem antes identificar o que está comprometendo a qualidade da água.
4. Monitoramento contínuo e manutenção dos sistemas
Mesmo com o tratamento adequado, a qualidade da água pode variar ao longo do tempo. Por isso, é importante manter um monitoramento regular e realizar manutenções preventivas. O processo pode incluir:
- Inspeção periódica dos sistemas de tratamento;
- Substituição de elementos filtrantes conforme as especificações do fabricante ou recomendação técnica;
- Limpeza e desinfecção periódica de reservatórios;
- Análises laboratoriais de acordo com o tipo de abastecimento, finalidade de uso e plano de monitoramento aplicável;
- Verificação do funcionamento dos equipamentos de tratamento e desinfecção.
Quais são os parâmetros que ajudam a avaliar a qualidade da água?
A análise da água deve considerar os parâmetros necessários para verificar se ela atende aos requisitos de qualidade para ser considerada água potável, além daqueles indicados de acordo com as características do manancial.
Parâmetros físicos
- Cor: pode indicar a presença de substâncias dissolvidas ou partículas;
- Turbidez: indica a presença de partículas em suspensão;
- Sabor e odor: alterações podem sinalizar mudanças nas características da água e devem ser avaliadas de acordo com os parâmetros e critérios aplicáveis;
- Temperatura: influencia determinadas características físico-químicas e microbiológicas da água.
Parâmetros químicos
- pH: indica a acidez ou alcalinidade da água;
- Ferro e manganês: podem causar alterações de cor, sabor e formação de depósitos;
- Nitrato e nitrito: importantes indicadores da qualidade da água subterrânea;
- Cloretos: podem estar relacionados à composição natural da água ou a fontes de contaminação;
- Dureza: relacionada principalmente à presença de cálcio e magnésio;
- Agrotóxicos, substâncias orgânicas e inorgânicas: avaliados conforme os parâmetros previstos na legislação e as características da região.
Parâmetros microbiológicos
Entre os principais parâmetros microbiológicos estão:
- Escherichia coli;
- Coliformes totais;
- Outros microrganismos e indicadores avaliados conforme o tipo de abastecimento e as condições do sistema.
É importante destacar que não basta analisar apenas um parâmetro para determinar se a água é própria para consumo. A potabilidade depende do atendimento ao conjunto de critérios estabelecidos pela legislação.
Quais doenças podem ser causadas pela água contaminada?
Quando a água não recebe tratamento adequado, microrganismos presentes na fonte podem causar diferentes problemas de saúde.
- Cólera: pode provocar diarreia intensa e rápida perda de líquidos, podendo levar à desidratação;
- Febre tifoide: costuma causar febre prolongada, dor abdominal e fraqueza;
- Hepatite A: compromete o fígado e pode provocar cansaço, náuseas e icterícia;
- Giardíase: está associada a diarreia, gases e desconforto abdominal;
- Amebíase: é uma infecção intestinal que pode provocar cólicas, diarreia e, em casos mais graves, diarreia com sangue;
- Leptospirose: pode provocar febre, dor muscular e dor de cabeça e está relacionada ao contato com água contaminada pela urina de animais infectados;
- Verminoses: causam alterações gastrointestinais, anemia e perda de peso, dependendo do parasita envolvido.
A ocorrência dessas doenças reforça a importância de analisar, tratar e monitorar a água do poço para garantir um abastecimento de água potável e segura para consumo humano.
Quer ter água potável e de qualidade na sua empresa? A AVS te ajuda!
Manter a água do poço artesiano dentro dos padrões de potabilidade não depende somente da perfuração adequada. É preciso ter um controle rigoroso e contínuo, desde a qualidade da água até os aspectos técnicos e sanitários relacionados ao uso da fonte.
A AVS oferece um serviço completo de controle de qualidade da água, com análises realizadas por equipe própria, em laboratório acreditado pela ISO 17025 e laudos validados por engenheiros ambientais conforme os parâmetros aplicáveis à legislação de potabilidade.
Além disso, realizamos a limpeza e desinfecção dos poços, com atendimento preventivo e emergencial e consultoria especializada com equipe multidisciplinar, garantindo maior segurança técnica e operacional.
Quer garantir que a água do seu poço seja adequada para consumo humano? Fale com a AVS e conte com uma equipe especializada para avaliar a qualidade da água, identificar possíveis necessidades de tratamento e orientar a manutenção do seu sistema.
Dúvidas frequentes sobre controle de qualidade da água:
Água de poço artesiano pode ser consumida diretamente?
Não é recomendado consumir água de um poço sem antes avaliar sua qualidade. Mesmo que esteja transparente e sem odor, ela pode apresentar contaminação microbiológica ou concentrações inadequadas de determinados componentes químicos.
Como saber se a água do poço é potável?
A única forma segura de verificar a potabilidade é realizar análises laboratoriais dos parâmetros aplicáveis ao sistema. A avaliação deve considerar características microbiológicas, físicas e químicas da água.
Toda água de poço precisa passar por cloração?
O tratamento necessário depende das características da água e do sistema de abastecimento. Para sistemas destinados ao consumo humano, devem ser observados os requisitos de desinfecção e de residual de desinfetante estabelecidos pela legislação.
Qual é a importância da análise bacteriológica da água?
A análise microbiológica permite identificar indicadores de contaminação que não podem ser percebidos pela aparência, cheiro ou sabor da água. A Escherichia coli, por exemplo, é um importante indicador de contaminação fecal.
De quanto em quanto tempo é preciso analisar a água do poço?
A frequência depende do tipo de abastecimento, da população atendida e dos parâmetros monitorados, conforme a Portaria GM/MS nº 888/2021.
Para uma Solução Alternativa Coletiva (SAC) de manancial subterrâneo, como nos casos atendidos pela AVS, devem ser observados o Capítulo VI e o Anexo 15 da Portaria. O escopo analítico combina os parâmetros dos Anexos 1 (microbiológicos), 9 (substâncias químicas) e 11 (organolépticos).
Na prática, o monitoramento pode incluir análise microbiológica mensal, turbidez semanal e cloro residual livre diário, além das análises de escopo completo conforme a frequência definida no Anexo 15 para a população abastecida.
A água transparente significa que está própria para consumo?
Não. A aparência não é suficiente para determinar a potabilidade. Microrganismos e diversos contaminantes químicos não alteram necessariamente a cor, o cheiro ou o sabor da água.









