A água de um poço artesiano pode parecer cristalina, inodora e livre de impurezas, mas isso não significa que ela esteja própria para o consumo humano. 

Contaminantes físicos, químicos e microbiológicos nem sempre são perceptíveis a olho nu e, quando não identificados e tratados corretamente, podem colocar em risco a saúde das pessoas, comprometer processos produtivos e gerar problemas legais para o responsável pelo sistema de abastecimento.

Por isso, é essencial saber que a qualidade da água impacta diretamente a segurança sanitária, a produtividade do seu negócio e o cumprimento das exigências legais.

Neste guia completo, você vai entender por que e como tratar água de poço artesiano para consumo humano e de que forma a AVS garante a água segura, dentro dos padrões exigidos por lei. Acompanhe!

bebendo agua

O que é controle de qualidade da água?

O controle de qualidade da água é um conjunto de análises e procedimentos técnicos que avaliam se a água atende aos padrões exigidos para o consumo humano. Por meio desse processo, são verificados parâmetros físicos, químicos e microbiológicos, garantindo que a água seja segura para o uso.

Embora a água de poços artesianos seja naturalmente protegida, ela pode sofrer alterações em sua qualidade ao longo do tempo. Por isso, o monitoramento periódico é fundamental para identificar possíveis contaminações e assegurar que a água permaneça dentro dos padrões de potabilidade estabelecidos pela legislação.

Além de proteger a saúde de quem consome a água, o controle de qualidade também garante que o sistema de abastecimento esteja em conformidade com as exigências dos órgãos competentes, evitando riscos sanitários e problemas legais.

Por que fazer o controle de água da qualidade do poço artesiano?

Embora os poços artesianos captem água de aquíferos profundos, essas fontes não estão imunes à contaminação. Infiltrações de esgoto, resíduos industriais e agrícolas, alterações nas características do solo e até mesmo falhas no sistema de captação podem comprometer a qualidade da água ao longo do tempo.

Em algumas regiões do Brasil, como no estado de São Paulo, também é comum encontrar águas subterrâneas com concentrações elevadas de ferro e fluoreto. 

Quando esses elementos estão acima dos limites permitidos, podem alterar as características da água e exigir tratamentos específicos para garantir sua potabilidade. Entre os contaminantes mais comuns encontrados em poços artesianos estão:

  • Ferro e flúor em excesso: podem alterar a cor, o sabor e, em concentrações elevadas, causar impactos à saúde;
  • Nitrato e nitrito: geralmente associados à infiltração de fertilizantes e resíduos orgânicos, podem provocar complicações, principalmente em crianças;
  • Metais pesados: que podem estar relacionados a atividades industriais ou às características geológicas da região;
  • Coliformes totais e Escherichia coli: bactérias indicadoras de contaminação fecal, com alto potencial de causar doenças como infecções intestinais, febre tifoide e hepatite A.

Leia também: Estudo hidrogeológico: o que é e qual a sua importância para o poço artesiano?

A água contaminada pode causar doenças?

Sim. Se não tratada devidamente, a água pode se tornar um meio de transmissão de bactérias, vírus, protozoários e outros microrganismos capazes de provocar doenças de veiculação hídrica.

Os riscos variam conforme o tipo de contaminação, mas podem incluir desde infecções gastrointestinais até doenças mais graves, especialmente em crianças, idosos e pessoas com o sistema imunológico comprometido.

Entre as principais doenças associadas ao consumo de água contaminada estão:

  • Hepatite A;
  • Giardíase;
  • Leptospirose;
  • Cólera;
  • Diarreias infecciosas;
  • Esquistossomose;
  • Febre tifoide.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 600 milhões de pessoas adoecem todos os anos em decorrência de doenças transmitidas por água e alimentos contaminados, resultando em aproximadamente 420 mil mortes em todo o mundo. O Ministério da Saúde destaca que a qualidade da água é um dos principais fatores relacionados à ocorrência dessas doenças.

Além de colocar a saúde em risco, a utilização de água fora dos padrões de potabilidade pode comprometer atividades industriais, comerciais e rurais e resultar em não conformidades durante fiscalizações dos órgãos competentes.

Como é feito o controle de qualidade da água?

O controle de qualidade da água envolve uma série de procedimentos técnicos que permitem avaliar se ela atende aos padrões de potabilidade exigidos para o consumo humano. Esse processo começa com a coleta das amostras e segue com análises laboratoriais que identificam possíveis alterações físicas, químicas e microbiológicas.

1. Coleta da amostra e preparo técnico

A primeira etapa é a coleta da amostra de água, que deve ser realizada por profissionais capacitados, utilizando frascos esterilizados e seguindo procedimentos específicos de higienização, armazenamento e transporte.

A coleta é feita diretamente na saída do poço ou no ponto de consumo, e as amostras são mantidas em condições controladas para preservar suas características até a realização das análises laboratoriais.

2. Análises físico-químicas e microbiológicas

Em laboratório, a água passa por ensaios que avaliam suas características físico-químicas e microbiológicas, permitindo identificar a presença de substâncias ou microrganismos que possam comprometer sua qualidade.

Essas análises são fundamentais para verificar se a água atende aos padrões de potabilidade estabelecidos pela legislação e para definir, quando necessário, o tratamento mais adequado.

Quais parâmetros são analisados?

  • Cor: pode indicar a presença de substâncias orgânicas ou minerais dissolvidos, como o ferro;
  • Turbidez: mede a quantidade de partículas em suspensão, que podem reduzir a eficiência da desinfecção;
  • pH: indica o nível de acidez ou alcalinidade da água, influenciando sua qualidade e o desempenho do tratamento;
  • Cloro residual livre: verifica se há quantidade suficiente de cloro para manter a desinfecção até o ponto de consumo;
  • Coliformes totais e Escherichia coli: indicam possível contaminação microbiológica e risco à saúde;
  • Flúor: quando presente em concentrações acima dos limites permitidos, pode causar problemas como a fluorose.

Qual é o papel da Vigilância Sanitária no controle da qualidade da água?

Quando um poço artesiano é utilizado para abastecimento de água destinada ao consumo humano, ele passa a estar sujeito à fiscalização dos órgãos de Vigilância Sanitária. 

O objetivo é verificar se o sistema opera de forma segura e se a água distribuída atende aos padrões de qualidade exigidos para proteger a saúde da população. Entre as principais atribuições da Vigilância Sanitária estão:

  • Fiscalizar sistemas e soluções alternativas de abastecimento destinados ao consumo humano;
  • Realizar inspeções sanitárias para identificar riscos e irregularidades;
  • Avaliar os registros das análises laboratoriais e dos procedimentos de controle da qualidade da água;
  • Verificar o funcionamento dos sistemas de tratamento e desinfecção;
  • Orientar os responsáveis sobre adequações necessárias para manter a conformidade sanitária.

Saiba mais informações no Manual de Inspeção Sanitária do GOV.

A cloração da água é obrigatória?

Sim, a desinfecção da água é uma etapa importante para garantir sua potabilidade e a cloração é obrigatória sempre que houver distribuição de água para consumo humano, pois ela elimina ou inativa microrganismos que podem causar doenças.

Além da desinfecção, a cloração mantém uma concentração de cloro residual livre na água até o ponto de consumo. Esse residual funciona como uma proteção contínua contra possíveis contaminações que possam ocorrer durante o armazenamento ou a distribuição da água.

O produto utilizado deve ser aprovado pelo Ministério da Saúde. Um dos compostos mais utilizados é o ácido tricloroisocianúrico, conhecido por sua eficiência na desinfecção e por manter níveis adequados de cloro residual quando aplicado corretamente.

No entanto, a eficiência do processo depende da dosagem adequada. Quantidades insuficientes de cloro podem não eliminar os microrganismos presentes na água, enquanto o excesso pode alterar o sabor, o odor e causar irritações na pele, nos olhos e nas vias respiratórias.

O que diz a legislação sobre a portabilidade da água?

A qualidade da água destinada ao consumo humano é regulamentada pela Portaria GM/MS nº 888/2021, que estabelece os padrões de potabilidade e os procedimentos de controle e vigilância da qualidade da água em todo o país. Entre as principais exigências da norma estão:

  • Realização de análises periódicas da água conforme o plano de amostragem;
  • Monitoramento de parâmetros físicos, químicos e microbiológicos;
  • Manutenção dos registros das análises e das ações corretivas adotadas;
  • Adoção de medidas sempre que forem identificadas não conformidades que possam comprometer a potabilidade da água.

Cumprir essas exigências é essencial para garantir a segurança do abastecimento, proteger a saúde dos consumidores e manter o sistema em conformidade com a legislação vigente.

Por que contar com a AVS no controle de qualidade da água?

O controle de qualidade da água exige análises periódicas, responsabilidade técnica e acompanhamento contínuo para garantir que a água permaneça dentro dos padrões de potabilidade exigidos pela legislação.

A AVS oferece uma solução completa para esse processo. Contamos com laboratório acreditado pelo INMETRO e certificado pela ISO/IEC 17025, equipe técnica especializada e equipamentos próprios para realizar coletas e análises com segurança e confiabilidade.

Além dos ensaios laboratoriais, auxiliamos nossos clientes no cumprimento das exigências legais, oferecendo suporte técnico para que o sistema de abastecimento opere em conformidade com a legislação.

Somos uma empresa especializada em desenvolver soluções para poços artesianos com mais de 12 anos de experiência e podemos atender qualquer tipo de projeto.

Gostou do artigo? Compartilhe com seus amigos!

Ficou com alguma dúvida relacionada ao tema?

Dúvidas frequentes sobre controle de qualidade de água:

Sim. Sempre que a água do poço artesiano for destinada ao consumo humano, ela deve atender aos padrões de potabilidade estabelecidos pela legislação e passar por monitoramento periódico.

 

A frequência varia conforme o tipo de sistema de abastecimento e as exigências da legislação vigente. O monitoramento periódico é fundamental para garantir que a água permaneça dentro dos padrões de qualidade.

 

As análises verificam parâmetros físicos, químicos e microbiológicos, como pH, turbidez, cor, cloro residual, coliformes totais, Escherichia coli, flúor e outros indicadores de qualidade.

Nem sempre. A necessidade de tratamento depende dos resultados das análises laboratoriais. Caso sejam identificadas alterações nos padrões de potabilidade, podem ser adotadas soluções como filtração, cloração ou outros tratamentos específicos.

A Vigilância Sanitária fiscaliza os sistemas de abastecimento destinados ao consumo humano, verificando se o controle da qualidade da água está sendo realizado conforme a legislação e se a água distribuída atende aos padrões de potabilidade.

Quando a água é destinada ao consumo humano por meio de sistemas ou soluções alternativas de abastecimento, a desinfecção é uma etapa essencial para eliminar microrganismos e garantir a segurança da água, conforme as exigências da legislação aplicável.

A única forma de confirmar a potabilidade é por meio de análises laboratoriais realizadas por profissionais e laboratórios qualificados. Características como cor, cheiro e sabor não são suficientes para garantir que a água esteja livre de contaminantes.

A água contaminada pode transmitir doenças de veiculação hídrica, comprometer processos produtivos, causar problemas de saúde e gerar penalidades para os responsáveis pelo sistema de abastecimento.